História da ciência do solo: Idade Contemporânea

A Idade Contemporânea é um período histórico que data de 1789 (ano em que ocorreu a Revolução Francesa) até o presente. Diante do crescente aumento populacional devido aos avanços médicos e tecnológicos, tornou-se essencial compreender a origem, as características e as dinâmicas do solo, já que dele vêm, direta ou indiretamente, a maioria dos alimentos e fármacos essenciais para a humanidade. 

É nesse período que o estudos dos solos começa a evoluir a partir do momento em que cientistas reconhecem o solo como um objeto de estudo cuja gênese e características (cor, textura, estrutura, consistência, porosidade, etc) só podem ser propriamente compreendidas quando estudadas no ambiente de origem. Finalmente, por volta da década de 1880, surge a ciência intitulada "Pedologia" (do grego: pedon = solo, terra; logia = estudo). 

Em 1840, o cientista Justus Von Liebig analisou amostras de solo em laboratório, visando continuar e desenvolver os estudos sobre o que fazia as plantas desenvolverem-se no solo. Liebig, então, concluiu em seus experimentos que as plantas nutriam-se não só de água e matéria orgânica, mas também, de elementos químicos disponíveis em forma de íons. Assim, Liebig reconheceu a existência e importância dos nutrientes no solo. Além disso, foi também responsável por desenvolver a Lei do Mínimo, que diz que, para ocorrer o  crescimento vegetal, deve existir no solo uma quantidade mínima de cada nutriente essencial. As ideias de Liebig inspiraram o desenvolvimento de fertilizantes químicos.

Em 1877, o cientista russo Vasily Dokuchaev fez um estudo do solo das planícies ucranianas, estudando-o não em um laboratório, mas sim, em seu ambiente de origem. Alguns anos depois, Dokuchaev realizou um estudo similar em uma região da Rússia, concluindo que as diferenças entre os solos que havia estudado se davam devido à fatores climáticos e geomorfológicos específicos a cada local. Dessa forma, Dokuchaev pôde compreender a ação e a influência dos diferentes fatores de formação do solo (tempo, clima, relevo, material disponível e ação de organismos). Assim, compreendendo o solo como sendo dinâmico e tendo estabelecido as bases para o estudo da pedogênese da morfologia deste, Dokuchaev deu origem à Pedologia, sendo, até hoje, considerado o pai dessa ciência. 





Fontes:

BREVIK, E. C; HARTEMINK, A. E. Early soil knowledge and the birth and development of soil science. Catena, vol. 83, n. 1, pág. 23-33, Outubro de 2010.

LEPSCH, Igo F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 15-18.


PLOEG, R; BOHM, W; KIRKHAM, M. On the Origin of the Theory of Mineral Nutrition of Plants and the Law of the Minimum. Soil Science Society of American Journal, vol. 63, n. 5, pág. 1039-1482, Setembro de 1999.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


História da ciência do solo: Idade Moderna

A Idade Moderna é um período histórico que estendeu-se desde a queda do Império Romano do Oriente em 1453 d.C; até a Revolução Francesa em 1789 d.C. Tal período destaca-se pela ocorrência do Renascimento, um movimento no qual buscou-se trazer de volta certos conceitos e noções da antiguidade clássica. Assim, durante essa época a arte, o comércio, a política, a economia e as ciências progrediram significativamente. 

A Idade Moderna viu a ascensão da chamada "alquimia", ciência precursora da química. Em relação aos estudos do solo, os alquimistas da época foram responsáveis por tentar explicar o que exatamente fazia as plantas desenvolverem-se no solo. A partir desses estudos, duas teorias iniciais foram desenvolvidas: a teoria da água como "elixir da vida" no solo; e a "teoria do húmus", que afirmava que as plantas nutriam-se exclusivamente da matéria orgânica presente no solo. 

Atualmente, sabe-se que o desenvolvimento das espécies vegetais depende não só da presença de água e matéria orgânica no solo, mas também, da presença de micro e macronutrientes, assim como da ação de diferentes seres-vivos e de fatores externos (como temperatura, incidência de luz solar, etc). 



Fonte: 

LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 14-15.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.





História da ciência do solo: Idade Média

A Idade Média é o período histórico que estendeu-se desde o século V ao século XV. Nesse extenso período, diferentes partes do globo desenvolveram o uso, manejo e estudo do solo de diferentes maneiras.

Na Europa, diante da importância da agricultura no sistema feudal, tornou-se essencial que os camponeses conhecessem melhor o solo da área em que viviam e trabalhavam, além de conhecerem as principais características morfológicas que tornavam tal solo fértil (ou não) para o plantio de diferentes espécies vegetais. Entretanto, como havia uma certa opressão da Igreja Católica às ciências da natureza, o desenvolvimento da ciência do solo, propriamente dita, foi limitado ao conhecimento do que tornava um solo produtivo para a agricultura de subsistência que sustentava o sistema de produção feudal. 

Enquanto isso, no atual Oriente Médio, o estudo dos solos pôde avançar um pouco devido à elaboração de tratados agrícolas por diversos intelectuais da região. Tais tratados relembravam técnicas de plantio e cultivo desenvolvidas pelas antigas civilizações do Crescente Fértil, com destaque para os "sistemas de irrigação de cultivos e as técnicas de plantio adaptadas para as condições geográficas locais, levando em consideração fatores como o clima e o relevo local. 


Fontes: 

BREVIK, Eric C. A Brief History of Soil Science. In: Encyclopedia of Life Support Systems, vol. VI, 2009.


LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 14.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


História da ciência do solo: Idade Antiga

No período histórico conhecido como Idade Antiga (que estende-se desde a invenção da escrita em 3.500 a.C. até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d. C), diversas civilizações ao redor do globo desenvolveram métodos eficazes de manejo do solo para a agricultura, além de serem os primeiros a associar solos de cor escura a maior fertilidade. 

Na região conhecida como Crescente Fértil, povos como os egípcios, mesopotâmios e persas desenvolveram suas civilizações ao redor de grandes rios, compreendendo que o regime fluvial e as férteis várzeas dos rios  eram altamente benéficos à agricultura, essencial à sua subsistência. 

Na antiga Europa, os romanos foram os primeiros a associar solos escuros a maior fertilidade e produtividade do solo. Atualmente, sabe-se que tal coloração se dá devido ao acúmulo de húmus no solo. Ademais, os antigos gregos desenvolveram as bases da Edafologia ao estudar a influência da morfologia do solo no desenvolvimento das plantas. 

No continente americano, as civilizações Maia, Inca e Azteca criaram complexos sistemas de canalização da água das chuvas para a irrigação de seus cultivos. Além disso, desenvolverem um eficaz sistema de plantio em terraços, não só viabilizando  um melhor aproveitamento da água das chuvas, mas também, prevenindo a erosão do solo. 


Fontes: 

LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 12-14.


IBÁÑEZ, Juan J. Sistemas de Manejo del Riego y Suelos en las culturas precolombinas (Síntesis publicada por Carlos Olguín Palacios y Francisco Oyarzabal Tamargo). Blog Madri Más D, 2016. Disponível em: https://www.madrimasd.org/blogs/universo/2016/01/27/146781. Acesso em 29 de Maio de 2022. 


VAN DER CRABBEN, Jan. Agriculture in the Fertile Crescent & Mesopotamia. World History Encyclopedia, 2021. Disponível em: https://www.worldhistory.org/article/9/agriculture-in-the-fertile-crescent--mesopotamia/. Acesso em 29 de Maio de 2022. 



Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


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