Por que um dia do solo?

Tal qual um Dia da Água, um Dia do Índio ou da Consciência Negra. Uma data comemorativa ao solo é instaurar um dia (só um, quase nada se comparado aos outros 365 dias do ano) para que possamos pensar, refletir e de algum modo valorizar esse recurso natural essencial para nossa vida.

Vivemos graças ao solo. É ele que sustenta nossos pés enquanto caminhamos, mesmo que esteja coberto pelo asfalto, ou pelo piso frio. É ele a base física que provê a nossa alimentação. Nele plantamos, cultivamos legumes, verduras, frutas, sementes, e são de sementes ou gramíneas que se alimentam vacas, porcos e galinhas das quais nos alimentamos. Fonte de proteínas, vitaminas, e muita matéria-prima. Da terra viemos e para terra voltaremos. Não é a toa que o Planeta que vivemos, se chama Terra, dada a ambiguidade de sua maior parte ser constituída de água ( outra fonte primordial para existência de todas as formas de vida).

Aliás a ancestralidade de crenças, já estimavam a Terra como fonte de divindade. Mas o homem moderno, esse detentor da tecnologia e habitante das cidades, se distancia cada vez mais desse precioso recurso e consequentemente de sua preservação.

Visto enquanto um recurso natural, o solo é de formação lenta, podendo ser considerado finito visto a escala de vida humana. Pesquisadores estimam que para o desenvolvimento de 30 cm de solo, são necessários cerca de 3.000 anos.
Nossa relação com a terra hoje é baseada no uso e exploração desenfreada. A expansão das cidades e consequente impermeabilização do solo, afeta a recarga de águas subterrâneas quando se impede a infiltração de água; o uso exaustivo na agricultura e pecuária, não é atento as condições de qualidade do solo, e a manipulação química com pesticidas e agrotóxicos é como lidamos com a terra. Até a visão da terra como sujeira, exemplifica o quão desatentos somos à matéria que nos dá condições para a vida.

O intuito de um grupo extensionista no ambiente universitário cujos objetivos são a difusão e construção de uma educação em solos, é senão admitir no meio acadêmico, quão essencial é propagar esse conhecimentos para a população em geral. Para que todos, crianças, adolescentes e adultos, possam saber e reconhecer nossa vital dependência com a terra.

Pois então que neste dia, possamos refletir e valorizar o Solo, sabendo agora quão dependentes somos de sua natureza. E que não seja somente em um dia, mas que se estenda em nossas ações cotidianas, quando mesmo nas cidades, escolhemos alimentos orgânicos, consumimos produtos com garantias de preocupação ambiental, ou ainda, deixando aquele pedacinho de terra no quintal, sem o asfalto. Para que a Terra possa respirar, possa ser Terra, continuando a nos dar vida.

Ana Clara Cerminaro

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