Desertificação: definições, causas e consequências

"Desertificação" é o nome dado a um processo de degradação ambiental, no qual biomas e ecossistemas não desérticos tornam-se extremamente áridos, secos e inférteis. Assim, tais áreas acabam perdendo gradualmente sua vegetação devido à degradação do solo, e acabam tornando-se desertos. 

Esse fenômeno ocorre, principalmente, devido a práticas predatórias e insustentáveis de uso da terra pelo homem, com destaque para o desmatamento, a poluição dos solos e dos corpos d'água, a superexploração e possível esgotamento de recursos e etc. Ademais, o aquecimento global, acelerado pela atividade humana, também é um fator significativo entre as causas da desertificação, pois pode alterar as dinâmicas climáticas de uma determinada área, afetando todos os seres que nela vivem. 

Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, esse fenômeno já atinge mais de 250 milhões de pessoas ao redor do mundo. Além disso, acredita-se que, se nada for feito para combater esse processo, até 2045, mais de 130 milhões de pessoas serão deslocadas de suas atuais áreas de habitação, devido à degradação e impossibilidade de uso da terra agora desertificada. Entre outras consequências da desertificação, pode-se citar: perda de biodiversidade; degradação e possível desaparecimento de biomas e ecossistemas; insegurança alimentar, devido à impossibilidade de uso do solo degradado; perda de fontes de água subterrânea, como os aquíferos; entre outros. 

Ainda segundo as Nações Unidas, a principal maneira de combater a atual emergência da desertificação é promover o uso correto e sustentável do solo, buscando protegê-lo da erosão através da proteção e manutenção da cobertura vegetal, além de promover práticas sustentáveis de agricultura, como a substituição do uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos por compostos orgânicos e não-nocivos ao meio ambiente. Além disso, é essencial educar a população mundial a respeito das consequências do aceleramento do aquecimento global, assim como das causas e consequências da desertificação. 



Fonte:

WHAT is desertification? Discover its causes and consequences. Iberdrola, 2022. Disponível em: https://www.iberdrola.com/sustainability/desertification. Acesso em 18 de Agosto de 2022. 


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.



Nutrientes no Solo

A presença de nutrientes no solo é essencial para a manutenção de sua fertilidade e, consequentemente, para o desenvolvimento das plantas, que "alimentam-se" desses nutrientes através de diferentes processos como a difusão, o fluxo de massa ou a interceptação radicular. Esses nutrientes consumidos pelas plantas são componentes da chamada "solução do solo" e podem ser classificados em macro e micronutrientes.

  • Os macronutrientes são aqueles necessários em grandes quantidades no solo, sendo que os macronutrientes primários (Nitrogênio, Potássio e Fósforo) são necessários em maiores concentrações que os macronutrientes secundários (Cálcio, Enxofre e Magnésio). 
  • Já os micronutrientes (Boro, Cloro, Cobre, Ferro, Sódio, Molibdênio, Manganês, Níquel, Cobalto e Zinco) são aqueles necessários em menor quantidade em comparação com os macronutrientes. Além disso, existem outros nutrientes cuja presença no solo, embora não essencial, pode ser benéfica, como o Selênio e o Silício. 


Fontes: 

LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 20-22.


NUTRIENTES no solo são alimento para as plantas. CropLife Brasil. Disponível em: https://croplifebrasil.org/noticias/nutrientes-do-solo-sao-o-alimento-para-as-plantas/. Acesso em 4 de 2022.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


Morfologia do solo

Segundo LEPSCH (2002), o estudo da Morfologia do Solo corresponde "ao estudo da sua aparência no meio ambiente natural e sua descrição segundo as características perceptíveis, visíveis a olho nu ou sensíveis ao tato. Portanto, corresponde à 'anatomia do solo' ". No estudo dos solos, são observadas, analisadas e classificadas diferentes características morfológicas, como: cor, textura, estrutura, consistência, espessura e transição dos horizontes. 

O estudo dessas características morfológicas do solo é importante para sua compreensão, identificação e para a diferenciação dos diferentes tipos de solos existentes no mundo. Ademais, a observação e descrição em campo é de extrema importância no estudo da morfologia do solo, sendo tal estudo em campo seguido por análise das amostras em laboratório. 



Fonte:

LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 35-36.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

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Minerais no solo

O processo de formação do solo (intitulado "pedogênese") inicia-se, justamente, a partir da ocorrência de intemperismo físico e/ou químico em uma rocha presente na crosta terrestre. Tal intemperismo desgasta e/ou decompõe essa chamada "rocha-mãe", fazendo com que os minerais que a compõem façam parte do solo que será originado a partir da ação de diversos fatores como o tempo, o clima, o relevo, a ação dos seres vivos e a disponibilidade de materiais tanto inorgânicos (como os minerais e a água) quanto orgânicos (como os restos de vegetais e animais). 

Os minerais frutos da decomposição ou desagregação da rocha-mãe são intitulados "minerais primários", sendo alguns exemplos destes: quartzos, feldspatos, calcitas, piroxênios, anfibólios, olivinas, entre outros. . Ao longo do tempo, esses minerais primários, então presentes no solo, podem sofrer intemperismo (devido à ação de agentes intempéricos como a água) e sofrer alterações em sua estrutura física e/ou composição química. Assim, originam-se os chamados "minerais secundários", como a caulinita, esmectita, gibbsita e outros. 

Em outras palavras, os minerais primários são aqueles que formaram-se no interior da Terra (no magma terrestre) e compõem a rocha-mãe a partir da qual o processo de pedogênese iniciará. Já os minerais secundários são aqueles que formam-se no próprio solo, a partir do intemperismo dos minerais primários. 


Fontes: 

CAULINITA (Kaolinite). Museu de Minerais, Minérios e Rochas Heinz Herbert. Disponível em:

https://museuhe.com.br/mineral/caulinita-kaolinite/. Acesso em 30 de Maio de 2022.


LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 24-25.


SAMPAIO, Elsa. Mineralogia do Solo. Departamento de Geociências da Universidade de Évora, 2006. p. 2-10. 


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


História da ciência do solo: Idade Contemporânea

A Idade Contemporânea é um período histórico que data de 1789 (ano em que ocorreu a Revolução Francesa) até o presente. Diante do crescente aumento populacional devido aos avanços médicos e tecnológicos, tornou-se essencial compreender a origem, as características e as dinâmicas do solo, já que dele vêm, direta ou indiretamente, a maioria dos alimentos e fármacos essenciais para a humanidade. 

É nesse período que o estudos dos solos começa a evoluir a partir do momento em que cientistas reconhecem o solo como um objeto de estudo cuja gênese e características (cor, textura, estrutura, consistência, porosidade, etc) só podem ser propriamente compreendidas quando estudadas no ambiente de origem. Finalmente, por volta da década de 1880, surge a ciência intitulada "Pedologia" (do grego: pedon = solo, terra; logia = estudo). 

Em 1840, o cientista Justus Von Liebig analisou amostras de solo em laboratório, visando continuar e desenvolver os estudos sobre o que fazia as plantas desenvolverem-se no solo. Liebig, então, concluiu em seus experimentos que as plantas nutriam-se não só de água e matéria orgânica, mas também, de elementos químicos disponíveis em forma de íons. Assim, Liebig reconheceu a existência e importância dos nutrientes no solo. Além disso, foi também responsável por desenvolver a Lei do Mínimo, que diz que, para ocorrer o  crescimento vegetal, deve existir no solo uma quantidade mínima de cada nutriente essencial. As ideias de Liebig inspiraram o desenvolvimento de fertilizantes químicos.

Em 1877, o cientista russo Vasily Dokuchaev fez um estudo do solo das planícies ucranianas, estudando-o não em um laboratório, mas sim, em seu ambiente de origem. Alguns anos depois, Dokuchaev realizou um estudo similar em uma região da Rússia, concluindo que as diferenças entre os solos que havia estudado se davam devido à fatores climáticos e geomorfológicos específicos a cada local. Dessa forma, Dokuchaev pôde compreender a ação e a influência dos diferentes fatores de formação do solo (tempo, clima, relevo, material disponível e ação de organismos). Assim, compreendendo o solo como sendo dinâmico e tendo estabelecido as bases para o estudo da pedogênese da morfologia deste, Dokuchaev deu origem à Pedologia, sendo, até hoje, considerado o pai dessa ciência. 





Fontes:

BREVIK, E. C; HARTEMINK, A. E. Early soil knowledge and the birth and development of soil science. Catena, vol. 83, n. 1, pág. 23-33, Outubro de 2010.

LEPSCH, Igo F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 15-18.


PLOEG, R; BOHM, W; KIRKHAM, M. On the Origin of the Theory of Mineral Nutrition of Plants and the Law of the Minimum. Soil Science Society of American Journal, vol. 63, n. 5, pág. 1039-1482, Setembro de 1999.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


História da ciência do solo: Idade Moderna

A Idade Moderna é um período histórico que estendeu-se desde a queda do Império Romano do Oriente em 1453 d.C; até a Revolução Francesa em 1789 d.C. Tal período destaca-se pela ocorrência do Renascimento, um movimento no qual buscou-se trazer de volta certos conceitos e noções da antiguidade clássica. Assim, durante essa época a arte, o comércio, a política, a economia e as ciências progrediram significativamente. 

A Idade Moderna viu a ascensão da chamada "alquimia", ciência precursora da química. Em relação aos estudos do solo, os alquimistas da época foram responsáveis por tentar explicar o que exatamente fazia as plantas desenvolverem-se no solo. A partir desses estudos, duas teorias iniciais foram desenvolvidas: a teoria da água como "elixir da vida" no solo; e a "teoria do húmus", que afirmava que as plantas nutriam-se exclusivamente da matéria orgânica presente no solo. 

Atualmente, sabe-se que o desenvolvimento das espécies vegetais depende não só da presença de água e matéria orgânica no solo, mas também, da presença de micro e macronutrientes, assim como da ação de diferentes seres-vivos e de fatores externos (como temperatura, incidência de luz solar, etc). 



Fonte: 

LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 14-15.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

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História da ciência do solo: Idade Média

A Idade Média é o período histórico que estendeu-se desde o século V ao século XV. Nesse extenso período, diferentes partes do globo desenvolveram o uso, manejo e estudo do solo de diferentes maneiras.

Na Europa, diante da importância da agricultura no sistema feudal, tornou-se essencial que os camponeses conhecessem melhor o solo da área em que viviam e trabalhavam, além de conhecerem as principais características morfológicas que tornavam tal solo fértil (ou não) para o plantio de diferentes espécies vegetais. Entretanto, como havia uma certa opressão da Igreja Católica às ciências da natureza, o desenvolvimento da ciência do solo, propriamente dita, foi limitado ao conhecimento do que tornava um solo produtivo para a agricultura de subsistência que sustentava o sistema de produção feudal. 

Enquanto isso, no atual Oriente Médio, o estudo dos solos pôde avançar um pouco devido à elaboração de tratados agrícolas por diversos intelectuais da região. Tais tratados relembravam técnicas de plantio e cultivo desenvolvidas pelas antigas civilizações do Crescente Fértil, com destaque para os "sistemas de irrigação de cultivos e as técnicas de plantio adaptadas para as condições geográficas locais, levando em consideração fatores como o clima e o relevo local. 


Fontes: 

BREVIK, Eric C. A Brief History of Soil Science. In: Encyclopedia of Life Support Systems, vol. VI, 2009.


LEPSCH, IGO F. Formação e Conservação dos Solos. 2ª Edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 14.


Escrito por Marina Kuncevicius Pereira; Supervisão: Déborah de Oliveira

2022.


Clay Joe, a little clump of soil: Adventures in the Atlantic Forest biome

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